VÍDEO – HOTEL GUAJARÁ: SAUDOSISMO, DECADÊNCIA E ABANDONO MARCAM A HISTÓRIA DESTE PRÉDIO QUE É UM SÍMBOLO DA PÉROLA DO MAMORÉ.

O governo do coronel Marcos Rocha tem a possibilidade de entrar para a história dos habitantes de Guajará-Mirim como um governo cuja principal marca é abandonar obras e prédios que fazem parte do patrimônio cultural, social e histórico do município.  Existem, ainda,  casos mais modernos, mas igualmente ignorados por um governo que preserva muito os discursos bonitos, prega o resgate de valores e o amor pelo estado, apenas no papel ou em período de campanha, porém, na prática, não faz nenhuma questão de esconder a postura de descaso pelo patrimônio, como é o caso da obra do Hospital Regional de Guajará-Mirim e do prédio onde funcionava a escola Durvalina Estilbem de Oliveira, patrimônios que se encontram completamente abandonados pelo atual governo e não existe nenhuma perspectiva de conclusão ou de recuperação desses patrimônios…

No caso da escola Durvalina Estilbem de Oliveira, é muito importante registrar que se trata de um prédio histórico, construído em 1940, no qual funcionou o Clube Colombina. Na época, havia um cinema no local e muitas pessoas frequentavam as dependências deste que foi um dos primeiros clubes da cidade. Quando o Clube Colombina fechou as portas, o prédio foi utilizado para a criação do primeiro hotel da cidade, o Hotel Guajará. Aliás, o Hotel Guajará hospedou muitas das pessoas mais importantes da história de Rondônia, da Amazônia e de diversas regiões brasileiras, fato que comprova sua importância. Certamente o governador de Rondônia não sabe que o Hotel Guajará hospedou também os principais seringalistas da região, exatamente no período do apogeu da borracha. A tentativa de citar os principais seringalistas da época poderia não ser bem sucedida, caso deixássemos de fora da lista algum nome que merece nossas homenagens e, por essa razão, é melhor sugerir que o governador ou seus assessores busquem nos anais da História de Rondônia os dados completos. Apesar do abandono a que o governo submete o patrimônio do estado, certamente existem nas bibliotecas das escolas estaduais alguns livros que contam a história e que não estão na lista das obras que o governo de Rondônia mandou queimar, poucos meses atrás.

O Hotel Guajará existiu por muitos anos, até que perdeu sua essência e ficou por um bom tempo fechado. Porém, o coronel Jorge Teixeira de Oliveira, considerado por muitos rondonienses como o melhor governador da história do estado, não permitiu que o prédio fosse destruído e determinou sua restauração, em 1983, para ser transformado na escola Durvalina Estilbem de Oliveira. Claro que muitas pessoas não sabem quem foi esta senhora, mas o ex-prefeito de Guajará-Mirim, Isaac Bennesby, resolveu colocar o nome da mãe do ex-governador na escola para atrair a atenção do coronel Jorge Teixeira e atrair recursos do governo. A ideia deu certo!! No ato de inauguração da escola, o governador Jorge Teixeira ficou muito emocionado com a homenagem e Guajará-Mirim recebeu muitos recursos na época. O Teixeirão não sabia que em Guajará – Mirim surgiria a ideia de fazer uma homenagem para sua mãe. Certamente muitos Guajará-mirenses também não sabiam da história,  mas o registro está feito.

A finalidade social do prédio não parou por aí. Em 1988, a Universidade Federal de Rondônia decidiu abrir um Campus Universitário em Guajará-Mirim para ajudar na formação da população da cidade mais antiga do estado, depois da capital. Assim, várias salas da escola Durvalina Estilbem de Oliveira foram utilizadas, por mais de 10 anos, para abrigar os estudantes da UNIR. Vale lembrar que alguns desses ex-alunos da UNIR chegaram a assumir o cargo de direção da escola Durvalina, anos após serem formados nas salas que representam o início da existência da UNIR em Guajará-Mirim. É difícil lembrar a história de um prédio em Rondônia que seja tão significativo para a história do estado, quanto o antigo Clube Colombina. Infelizmente, as pessoas que sempre lutaram para manter a história do prédio hoje são falecidas e a marca mais visível atualmente é o abandono. O local está completamente abandonado, destruído, cheio de mato, insetos, cobras e servindo de abrigo para usuários de drogas. Até mesmo dona Durvalina Estilbem de Oliveira, que nunca esteve em Guajará-Mirim, ficaria muito triste, caso pudesse ver as imagens do prédio que leva seu nome e que foram registradas recentemente por um internauta que fez um relato muito forte sobre as lembranças que tem do prédio.

Após passar muitos anos como uma das principais cidades de Rondônia, Guajará-Mirim sofre com o abandono de seu patrimônio cultural, como é o caso dos bumbás; seu patrimônio histórico, como é o caso da escola Durvalina Estilbem de Oliveira; e seu patrimônio hospitalar, como é o caso do ex-novo-hospital regional. Nossa sugestão é que o coronel Marcos Rocha, inspirado pelo falecido coronel Jorge Teixeira, possa adotar a iniciativa de resgatar um pouco da História de Guajará-Mirim. Esse projeto poderia começar pela conclusão da obra do Hospital Regional da Pérola do Mamoré e certamente nenhum habitante de Guajará-Mirim ficaria chateado, caso Marcos Rocha inaugurasse o hospital e colocasse o nome de dona Lucília da Rocha Santos, pois ninguém se incomodou, com o nome de dona Durvalina Estilbem de Oliveira na placa de uma escola. O que incomoda, muito mais do que os nomes, é a condição de abandono em que se encontram diversos patrimônios da Pérola do Mamoré.

 

Fonte: Guajará Notícias

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